Quem ouviu Antonio Carlos Mariz de Oliveira, na sustentação de defesa após o relatório de Sérgio Zveiter acolhendo a denuncia contra Michel Temer ficou com uma nítida impressão: a de que o ponto falho no discurso do excelente advogado era, a rigor, um só: o potencial réu da causa, o próprio Temer.
Mariz teve inteira razão nos absurdos processuais, mas todo seu brilhantismo falece diante do fato de que, em momento algum, Michel Temer apresentou explicações minimamente convincentes para seu diálogo escuso e na penumbra com Joesley Batista – de resto um bandido que enoja ver previamente anistiado – ou para a mala carregada por seu assessor e azeitador de negócios Rodrigo Rocha Loures, segundo o ainda ocupante do Planalto “um homem de boa índole”.
Ainda assim, está claro que o processo está sendo regido por direção política, não jurídica, embora neste caso a delação premiada traga provas em condições muito mais evidentes do que outras, como a da própria Odebrecht onde, em muitos casos, não apareceu dinheiro infinitamente maior que o das malas de Loures e do primo de Aécio.
Há uma direção política que se traduz nos já inescondíveis movimentos de Rodrigo Maia – inclusive um encontro com a direção da Globo – para montar o que pensa que será seu governo.
Não será um novo governo, claro, mas uma “guaribada” no atual, de onde se tirarão alguns elementos já em decomposição – mas não todos – serão retirados.
Mas não rapidamente. Ficaremos muitos dias mais com este cadáver insepulto, porque ainda são fortes os laços de quadrilha a mumifica-lo na cãmara ardente do país.



